Cinco lugares perfeitos para enoturismo e gastronomia

Cinco lugares perfeitos para enoturismo e gastronomia

Conheça cinco lugares perfeitos para enoturismo e gastronomia. Fotos: Tereza Cidade/Marcos Santos

Cada região vinícola têm suas peculiaridades, com características geológicas e culturais próprias e, invariavelmente, exploradas pelo turismo. Hoje, algumas delas começam a se destacar no cenário internacional como destinos enogastronômicos, aliando qualidade de vinhos e riqueza gastronômica às atrações culturais ou belezas naturais.

Conheça cinco destinos em que os três ingredientes – vinho, gastronomia e lazer – caminham lado a lado, oferecendo a oportunidade de férias inesquecíveis: Douro, em Portugal; Ribera del Duero, na Espanha; Califórnia, nos Estados Unidos; Toscana, na Itália; e Mendoza, na Argentina.

 

Pelas curvas do rio Douro

Paisagens deslumbrantes, cidades históricas, vinhos de alta qualidade e culinária de dar água na boca. Tudo isso pode ser encontrado na região do Douro, em Portugal.

O Alto Douro foi classificado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco. É a parte mais bonita da região. Do alto das encostas você vê o rio Douro serpenteando por entre as colinas, cobertas por vinhedos e pontilhadas por Quintas, muitas das quais oferecem a experiência de se hospedar cercado por videiras.

A estrada que liga o Alto Douro Vinhateiro a Peso da Régua é uma das mais bonitas rotas rodoviárias do mundo. O trecho que mais impressiona é o que liga Mesão Frio a Pinhão. A via passa por entre vinhedos, acompanhando o percurso do rio Douro e oferecendo a visão estupenda dos chamados “balcões do Douro”, os vinhedos plantados há mais de um milênio nas encostas da montanha.

O passeio pelo Douro pode começar pela cidade do Porto, distante 312 km de Lisboa de carro. A cidade tem uma gama de restaurantes de qualidade, como o DOP, do chef Rui Paula, que também está presente em Pinhão, com o restaurante DOC. O porto é ligado por ponte a Vila Nova de Gaia, que oferece a oportunidade de visitar diferentes caves, com os melhores vinhos produzidos na região. Vinho, que vinho? Vinho do Porto, claro. Há, ao longo do calçadão, várias opções de restaurantes, que permitem saborear a cozinha portuguesa olhando a beleza do Douro e da cidade do Porto, do outro lado do rio.

Depois de passar pelo menos três dias circulando pela cidade, o ideal é seguir até a região do Alto Douro – média de duas horas de estrada –, e se hospedar em uma das quintas da região. As que oferecem as mais belas paisagens estão na região do Alto Douro.

No Douro, aproveite para circular de carro e visitar cidades como Peso da Régua, a capital oficial do Douro e sede do Instituto do Vinho do Porto; Lamego, cuja maior atração é a Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, versão da famosa Bom Jesus do Monte, em Braga; e Amarante, que tem um charmoso centro histórico.

Além dos centenários vinhos do Porto, o Douro produz excelentes tintos, famosos no mundo inteiro, como o Barca Velha, considerado o melhor vinho de Portugal, e o Maria Teresa, que também briga entre os primeiros.

Leia mais: Roteiro pelo Douro

 

As Quintas se espalham pelo Douro e algumas se transformaram em hotéis. Fotos: Tereza Cidade/Marcos Santos

O Alto Douro foi classificado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Os vinhedos com os tons avermelhados do outono.

 

Ribera del Duero e os “tops” espanhóis

A Ribera del Duero é uma das regiões vinícolas mais importantes da Espanha, mas o turismo enogastronômico não é tão desenvolvido. O rio Duero, que se transforma em Douro do lado português, corta cidades da região, produtora de alguns dos melhores vinhos espanhóis, como o Vega Sicília Único, o raro Pingus e o Domínio de Ataulta. Além desses, há outros grandes rótulos, como Protos, Pesquera De Duero e Alión.

Valladolid é a maior cidade da região e tem forte influência árabe. Ela conserva um interessante centro histórico, marcada pela arquitetura renascentista, composta por palácios, casas, igrejas. Destaque para a Catedral e a Plaza Mayor, do século XVI. Na cidade você também pode visitar a Casa de Cervantes, onde viveu Miguel de Cervantes, autor de D. Quixote.

Em Penafiel, em uma colina, localiza-se o famoso Castillo de Penafiel, que foi declarado Monumento Nacional, em 1917. Ele abriga o Museo Provincial del Vino, que oferece informações sobre a produção de vinhos e de como apreciá-lo.

Não deixe de saborear o lechazo (cordeiro) feito nos restaurantes identificados como ‘asador oficial’, a principal referência da culinária local, acompanhado dos potentes vinhos da região.

Leia mais: Roteiro pela Ribera del Duero

Arzuarga, vinícola top da Ribera del Duero.

Castelo de Penafiel.

Abadia Retuerta, hospedagem e alta gastronomia na Ribera.

 

Napa Valley, o paraíso do novo mundo dos vinhos

O estado da Califórnia produz os melhores vinhos dos Estados Unidos. A pouco mais de 1h de San Francisco está o Wine Country, que reúne mais de 400 vinícolas. Duas das principais áreas produtoras são o Vale do Sonoma e o Napa Valley. Um pouco mais distante, já próximo a Los Angeles, fica a região de Santa Barbara, famosa por seus pinot noir, que inspirou o filme “Sideways”.

Sonoma, pequena cidade do Vale do Sonoma, tem um centrinho charmoso, com várias lojas, principalmente de vinhos, ótimos restaurantes e prédios históricos em estilo espanhol. É essa área o lugar onde se produz o melhor vinho da cepa Zifandel do mundo. Pode ser visitada a caminho do Napa Valley.

No Napa Valley, que abriga as cidades de Yountville, Oakville, St. Helena, Rutherford e Calistoga, há cerca de 250 vinícolas e os melhores rótulos. Com tantas opções, o difícil é escolher as vinícolas para visitar. Duas boas sugestões: o Chateau Montelena, que fica na cidade de Santa Helena e tem o vinho branco do mesmo nome que desbancou os vinhos franceses em uma prova cega, em 1976 – a história é relatada no filme “A batalha de Paris” (Battle Bottle); e a Opus One, que produz um dos melhores vinhos, para muitos o melhor, californianos. As duas vinícolas oferecem visitas guiadas, com provas de vinho da casa.

A Opus One, aliás, resulta de uma joint venture entre Robert Mondavi, enólogo que é apontado como responsável pelo boom dos vinhos californianos, e o Baron Philippe de Rothschild, famoso por produzir o francês Chateau Mouton Rothschild, um dos cinco melhores – e mais caros – grand crus do mundo.

Se você não quiser errar, experimente os vinhos tops da região como o Opus One, o Caymus, o Moone Tsai, mas você pode se arriscar sem medo nos vinhos menos conhecidos e, portanto, mais baratos, mas que reservam grandes surpresas.

Saindo do Napa Valley, você pode pegar a estrada e seguir até Santa Barbara, uma outra importante região vinícola dos Estados Unidos, famosa por  seus diversos microclimas e tipos de solo que favorecem a produção de chardonnay, pinot noit e syrah.

Em Santa Barbara, foi rodado o filme “Sideways”, que contribuiu para chamar a atenção do mundo para essa região vinícola e é considerado a maior propaganda da varietal Pinot Noir. O filme conta a história de Miles Raymond (Paul Giamatti), que é fascinado por vinhos e decide dar como presente de despedida de solteiro a Jack (Thomas Haden Church), seu melhor amigo, uma viagem pelas vinícolas do Vale de Santa Inez, na California. A partir daí, começam as aventuras dos dois amigos.

A região tem uma penca de importantes vinícolas e há um roteiro para quem quiser fazer o percurso do filme.  Duas vinícolas que fazem parte do roteiro do filme são a Kalyra e a Fess Parker.

Depois de circular pelas vinícolas, você pode visitar a pequena cidade de Solvang, de influência dinamarquesa, que oferece vários restaurantes, e a cidade praiana de Santa Barbara, reconstruída em estilo mediterrâneo após ser destruída por terremoto em 1925.

 

Leia mais: Roteiro pelo Napa Valley

Castelo di Amorosa, no Napa Valley.

Vinícola Beringer, uma das mais antigas da região.

Placa famosa do Napa Valley.

 

Brunellos, Sassicaias, Chiantis e o charme rural da Toscana

A beleza da região já seria suficiente para incluir a Toscana, na Itália, em qualquer lista dos melhores destinos turísticos do mundo. Junte a isso a qualidade de seus vinhos e a deliciosa comida regional, à base de caça e, claro, massas, e o cenário perfeito está montado.

A Toscana é formada por várias cidades, algumas bem pequeninas, mas a referência da região é Florença, distante 278 km de Roma. Berço da Renascença – movimento artístico, cultural e científico ocorrido na passagem da Idade Média para a Moderna -, Florença é um museu a céu aberto. Além dos belos monumentos, com destaque para o Duomo, a quarta maior catedral da Europa, a cidade reúne obras primas de grandes artistas em seus museus, como o “Davi”, de Michelangelo, que está na Dell’Academie. Não deixe também de visitar a Galleria degli Uffizi, o mais importante museu de Florença e um dos mais importantes da Europa, que reúne obras de arte dos séculos XIII a XVIII. É um local onde você se vê de frente com a obra de ninguém menos que Leonardo da Vinci.

Passear de carro pela região é um prazer inigualável e você vai descobrindo pelo caminho cidades encantadoras. Siena, San Gimignano e Pisa são mais conhecidas, mas não deixe de visitar pequenas vilas, como Montepulciano, Pienza e Montechielo.

Também não deixe de ir a Montalcino saborear os brunellos, vinhos produzido com a uva sangiovese, ideal para acompanhar o chingiale (javali, em italiano) e outras carnes de caça. A harmonização do vinho com a caça é uma das mais completas expressões da chamada enogastronomia.

Nas redondezas também fica a região de Bolgheri, produtora dos vinhos Sassicaia, Sondraia, Guado al Tasso, Ornellaia e o último campeão entre os chamados supertoscanos, o Masseto. Para se ter ideia, enquanto o Brunello reserva médio, conta em que não entram os caríssimos Biondi Santi de safras especiais, custa em torno de 130 euros, o Sassicaia médio fica em 230 euros e o Masseto vai a 450 euros. Foi o Sassicaia que, elaborado de vinhedos plantados em 1944 pelo Marchese Incisa della Rocchetta, num terreno pedregoso de sua propriedade (San Guido), distante a 10 km do mar, colocou a região no mapa internacional do vinho.

Em Montepulciano, onde foi gravado episódios do filme Crepúsculo, a saga romântica de vampiros e lobisomens, aproveite para experimentar o vinho Nobile de Montepulciano.

Apesar de serem menos complexos, os chiantis, feitos com a uva Valpolicella – a preferida do escritor Ernest Hemingway –, também merecem ser saboreados. Uma rota rodoviária cênica que explora a região produtora dos chiantis é a La Chiantigiana, que parte de Siena e passa por belas cidadezinhas, como Greve in Chianti e Castelina in Chianti.

Vinho, alta gastronomia e paisagens deslumbrantes é, sem dúvida, uma combinação maravilhosa para uma viagem perfeita.

Leia mais: Roteiro pela Toscana

 

As casas de pedra da Toscana e a beleza do cenário ao redor. Difícil não se impressionar. Fotos: Tereza Cidade/Marcos Santos.

Pienza, uma das pequenas vila charmosas da Toscana.

Ruelas de Montalcino, o reduto dos potentes Brunellos.

 

Mendoza e a fama do melhor Malbec do mundo

Vinhedos a perder de vista emoldurados pela Cordilheira dos Andes e seus picos nevados. Essa bela paisagem, aliada a uma produção vinícola de alta qualidade e gastronomia que valoriza os produtos locais, tornaram Mendoza, na Argentina, um destino muito apreciado pelos amantes dos vinhos.

Mendoza tem a fama de produzir o melhor Malbec do mundo. Atualmente, são mais de mil vinícolas na região, conhecidas também como bodegas. Elas se distribuem em três grandes sub-regiões: Luján de Cuyo, Maipu e Valle de Uco.

A história do vinho começou com os colonizadores espanhóis, que trouxeram as primeiras mudas. As plantações se desenvolveram com o apoio dos jesuítas. A partir daí, a vinicultura cresceu e hoje é a principal atividade econômica da região. Atualmente, quase 80% dos vinhos argentinos são produzidos em Mendoza, considerada uma das maiores regiões produtoras do mundo.

Apesar da quantidade de vinícolas, pouco mais de 100 são abertas à visitação. Portanto, o ideal é agendar a visita com antecedência, que pode ser feita diretamente nos sites. Se pretende fazer mais de uma vinícola por dia, leve em conta as distâncias e o tempo de duração da visita.

Um caminho mais fácil é contratar agências de turismo, mas aí você faz a programação definida e não escolhe as vinícolas. Alguns já incluem almoço ou jantar com degustação de vinhos. Outra opção é contratar serviços exclusivos de motorista. Se você entrar em contato com antecedência é possível definir o que você quer conhecer e se programar.

Leia mais: Roteiro por Mendoza

A Cordilheira dos Andes emoldurando os vinhedos de Mendoza. Fotos: Tereza Cidade

Vinho da Catena Zapata, a vinícola mais famosa de Mendoza.

Ruca Malen tem almoço-degustação disputado.

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