Roteiro pelo Douro: enoturismo em uma região que é patrimônio da humanidade

Os vinhedos dominam as colinas que cercam o rio, nos chamados “balcões do Douro”, tombados pela Unesco como Patrimônio da Humanidade. Fotos: Tereza Cidade e Marcos Santos/Amazonas e Mais.

O Vale do Douro, cartão postal de Portugal e uma das mais reconhecidas áreas de produção de vinho no planeta, é um dos locais onde se percebe, com mais evidência, a capacidade do homem de se adaptar à natureza. O solo árido e rochoso, aparentemente impróprio para qualquer tipo de cultivo, foi trabalhando ao longo de milênios. Nas encostas foram cavados terraços para fazer nascer o Vinho do Porto, celebrado no mundo todo, e outras delícias enológicas como o Maria Tereza, da Quinta do Crasto.

Andar de carro, trem ou barco pela região é perceber e se impressionar com esse trabalho feito por mão humana. Vai ficar na memória a imagem do rio deslizando pelo vale, cercado por colinas, com seus muros de xisto e granito escavados nas encostas, cobertos por vinhedos; e por suas famosas Quintas, que pontuam de branco, verde ou d’ouro as colinas.

Em dezembro de 2001, a Unesco classificou o Alto Douro Vinhateiro como Patrimônio da Humanidade, premiando a região vinícola demarcada mais antiga do mundo – a demarcação foi feita pelo Marques de Pombal, há mais de 300 anos. Tanto do vale, acompanhando o percurso do rio, quanto de cima, do alto das colinas, as vistas são belíssimas.

Apesar da fama do rio português, o Douro tem sua nascente na Espanha e percorre 850 quilômetros até chegar na foz, no Porto.  Na região, o enoturismo é o forte, com visitas às quintas para degustação de vinhos. Há também pequenas vilas e aldeias históricas e bons restaurantes como o DOC, do chef Rui Paula.

 

As fotos mostram um pouco da beleza do Douro:

 

Peso da Régua

Peso da Régua é a capital oficial do Douro e sede do Instituto do Vinho do Porto. Era dessa cidade que partiam os típicos barcos rabelos, de madeira, que transportavam os barris de vinho do Porto até Vila Nova de Gaia, onde ele envelhecia nas caves. Hoje os rabelos são utilizados apenas para o turismo.

Do cais fluvial de Peso da Régua partem e chegam muitos dos famosos Cruzeiros que percorrem o Rio Douro. Na cidade também fica o Museu do Douro, instalado na Casa da Companhia.

A rota do Vinho do Porto passa pelas principais cidades do Douro, como Peso da Régua.

A estrada vai cortando as colinas e seguindo o fluxo do rio.

Museo do Douro, em Peso da Régua, conta a história do vinho na região.

 

Lamego

A maior atração da encantadora cidade de Lamego, 11 quilômetros ao sul de Peso da Régua, é a igreja de Nossa Senhora dos Remédios, versão da famosa Bom Jesus do Monte, em Braga. Construída no século 18, possui uma escadaria barroca, com 686 degraus, divididos em nove terraços. De cima, oferece uma bela vista da cidade.

Os 686 degraus da igreja de Nossa Senhora dos Remédios, atração de Lamego.

Fonte em um dos terraços da escadaria da igreja.

 

Amarante

Pequena cidade distante cerca de 40 minutos de carro do Porto, Amarante se espalha às margens do rio Tâmega e é cercada pelas serras do Marão e da Aboboreira.

No Centro Histórico, bem preservado, fica a Ponte, o Convento e a Igreja de S. Gonçalo, as Igrejas de S. Pedro e S. Domingos, a Casa da Cerca e o Solar dos Magalhães.

 

Serviços

Como chegar

De Lisboa até a cidade do Porto são 312km pela autoestrada. Para consultas mais detalhadas sobre trechos rodoviários acesse o site Via Michelin, onde constam detalhes de percursos e custo com pedágios.

Do Porto até a região do Alto Douro a média é de duas horas de estrada, dependendo da cidade escolhida. O ideal é ficar pelo menos dois ou três dias na cidade do Porto e depois seguir para o Douro, hospedando-se em uma das Quintas da região. As que oferecem as mais belas paisagens estão na região do Alto Douro, mas o acesso é por uma estradinha sem proteção lateral, o que exige um motorista cuidadoso para encarar as curvas nas alturas, principalmente à noite ou em dias de neblina.

Também é possível fazer de avião Lisboa-Porto. Há diversos voos diários, com média de uma hora de viagem. O trem também é opção, com duração de 2h46 de viagem. O comboio sai da  Estação de Entrecampos – Rua Dr. Eduardo Neves, em Lisboa. Viajar de carro, porém, serpenteando entre a bela paisagem, por estradas paradisíacas, é, sem dúvida, a melhor opção.

Porto é a melhor porta de entrada para o Douro. Vale ficar alguns dias na cidade e depois se hospedar no Vale do Douro.

 

 

Onde ficar

O enoturismo é muito forte no Douro e várias quintas, onde se produzem os vinhos, funcionam hoje como pousadas. Algumas boas opções de hospedagem são a Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo, Quinta do Vallado, Quinta da Pacheca e Quinta do Pego.

 

Como conhecer o Vale do Douro

Você pode conhecer o Vale do Douro de carro, trem ou barco.

Carro– A estrada que liga o Alto Douro Vinhateiro à Peso da Régua é uma das mais bonitas rotas rodoviárias do mundo. O carro vai acompanhando o fluxo do rio, cruzando vilas e aldeias. O trecho que mais impressiona é o que liga Mesão Frio a Pinhão. Caso decida seguir para o Alto Douro triplique os cuidados. As estradas são de terra e oferecem perigo real e não admitem descuido. O passeio vale a pena, mas beber para seguir por essas vias na montanha, nem pensar.

Trem– O comboio histórico voltou a funcionar em 2013. De 13 de julho a 05 de outubro, todos os sábados, o trem percorre o trajeto entre as estações da Régua e do Tua. A
partida é da estação da Régua às 15h21, com chegada à estação do Tua, às 16h31. No regresso, partida da estação do Tua às 17h15 e chegada à estação da Régua às 18h26.

Barco– Várias agências de viagem realizam cruzeiros pelo rio Douro. Alguns saem da cidade de Porto e duram somente um dia e outros saem de Peso da Régua. Há várias opções de cruzeiros pela região.

 

 

 

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