06/11/2019

A lúgubre Capela dos Ossos, em Évora, um monumento à transitoriedade da vida

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A frase no portal de entrada é uma mensagem para refletir sobre a brevidade da vida. Fotos: Tereza Cidade

A Capela dos Ossos é um dos monumentos mais conhecidos de Évora, cidade localizada na região do Alentejo, em Portugal. Construída no século XVII, na Igreja de São Francisco, a capela é ‘decorada’ com caveiras de cerca de 5 mil monges e foi edificada com o objetivo de transmitir a mensagem da transitoriedade e fragilidade da vida humana, expressa claramente pela frase escrita na porta de entrada: “Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”.

É, realmente, difícil não pensar na morte quando todo o ambiente remete à reflexão sobre o tema. Edificada por três frades franciscanos no local onde antes era o dormitório e a sala de reflexão dos monges, a capela é composta por três naves, com apenas três pequenas janelas do lado esquerdo. A pouca luz e os ossos e crânios humanos amontoados nas paredes e pilares, unidos por cimento, criam um ambiente lúgubre. As abóbadas são de tijolo e pintadas com motivos que remetem à morte. Os ossos foram retirados de cemitérios situados em igrejas e conventos da cidade.

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A capela foi dedicada ao Senhor dos Passos, conhecido na cidade como Senhor Jesus da Casa dos Ossos, que representa com grande expressividade o sofrimento de Cristo em sua caminhada com a cruz até o calvário.

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A capela foi dedicada ao Senhor dos Passos. No fundo, o altar.

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Dois esqueletos, de um adulto e de uma criança, estão pendurados em uma parede.

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Detalhe de um dos pilares da capela.

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Com poucas e pequenas janelas, há pouca luz dentro da capela, criando um clima introspectivo e, para alguns, até sinistro.

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A capela foi edificada com ossos de mais de cinco mil monges.

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Crânios e fêmures compõem os pilares.

Dentro da capela há dois poemas que tratam da transitoriedade da vida, que transcrevemos abaixo:

Poema sobre as caveiras

As caveiras descarnadas

São a minha companhia,

Trago-as de noite e de dia

Na memória retratadas

Muitas foram respeitadas

No mundo por seus talentos,

E outros vãos ornamentos,

Que serviram à vaidade,

E talvez…na eternidade

Sejam causa de seus tormentos.

 

Poema sobre a existência

Aonde vais, caminhante, acelerado?

Pára…não prossigas mais avante;

Negócio, não tens mais importante,

Do que este, à tua vista apresentado.

Recorda quantos desta vida tem passado,

Reflecte em que terás fim semelhante,

Que para meditar causa é bastante

Terem todos mais nisto parado.

Pondera, que influído d’essa sorte,

Entre negociações do mundo tantas,

Tão pouco consideras na morte;

Porém, se os olhos aqui levantas,

Pára…porque em negócio deste porte,

Quanto mais tu parares, mais adiantas.

(Soneto atribuído ao Padre António da Ascensão Teles)

 

Serviço

Capela dos Ossos na Igreja de São Francisco

Rua da República, em Évora, na região do Alentejo – Portugal

Visitação: segunda a sábado, das 9h às 12h45 e das 14h30 às 17h30. Aos domingos abre às 10h

Preço: Adultos, 2€; Estudantes e Reformados, 1,50€; fotografar, 1€

 

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