09/12/2019

Turismo religioso no Amazonas: a Festa do Carmo em Parintins

Festa do Carmo, em Parintins

Na Festa do Carmo, a grande imagem da Santa na Romaria das Águas. Fotos: Peta Cid

Texto e fotos: Peta Cid

A fé, o alimento da alma que conduz o povo em singelas homenagens à padroeira da Diocese de Parintins, Nossa Senhora do Carmo, levou uma multidão às ruas da cidade, ontem, 16, na procissão de encerramento dos festejos que iniciaram dia 06 de julho. É a segunda maior festa religiosa da Amazônia, atrás apenas do Círio de Nazaré, em Belém (PA).

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Emoção, devoção e gratidão se renovaram no badalar dos sinos da majestosa Catedral anunciando a procissão, nos pés descalços, nas bençãos dos escapulários e terços, nas salvas e cascatas de fogos. Promessas, graças, lágrimas, alegria, júbilo, um misto de sentimentos que só a crença dos devotos produz na certeza que a fé opera milagres. No trajeto da procissão, cantos, preces e glórias num coral que se ouvia ao longe. A multidão seguiu pelas ruas, cantando e louvando a Virgem do Carmelo, levando flores, adornos coloridos, fitas, balões, candeias iluminando o cortejo, crianças vestidas de anjo, imagens enfeitando as casas por onde passou a procissão.

Muitas homenagens foram marcantes como as pinturas sacras no muro do Colégio Nossa Senhora do Carmo e a imagem erguida em palha adornada de flores, obra do artista Glemberg Castro e  equipe. O show pirotécnico na homenagem dos portuários na passagem da Santa e a cascata de fogos na torre da Catedral na chegada do andor também foram momentos de grande emoção.

A festa religiosa é a maior manifestação de fé do Baixo Amazonas, cada ano reunindo mais fiéis, pagadores de promessas,  ribeirinhos, romeiros vindos de Manaus, Santarém e cidades vizinhas. Ontem, na procissão, romeiros de vários lugares pagaram promessas e muitos distribuíram água para a multidão em vários pontos por onde passou o cortejo.

 

Entre o sagrado e o profano

Muitos visitantes que participaram dos eventos folclóricos ficaram na cidade para a festa da Santa. Outros chegaram especialmente para as homenagens à Virgem do Carmo.

Parintins tem a incrível e feliz capacidade de em poucos dias separar o profano e o sagrado. O Festival Folclórico, dos bois Caprichoso e Garantido encerrou no dia 01º de julho com a festa da vitória do boi campeão e, no dia seguinte, o  povo já começou a se preparar para a festa de Nossa Senhora do Carmo. São duas manifestações antagônicas, mas que envolvem o sentimento popular, o mesmo traduzido nos versos das toadas que exaltam a padroeira da cidade.

O andor da Santa confeccionado por artistas que trabalham no Festival Folclórico de Parintins.

Festa do Carmo, em Parintins

O arraial durante os festejos da padroeira.

A imagem da Santa vem de Manaus.

Chegada da Santa à catedral de Parintins.

 

Andor da Santa

Na procissão de encerramento o olhar era de adoração da multidão na passagem do andor da Santa confeccionado pelos artistas da fé, na coordenação de Juarez Lima. De acordo com ele, o andor trouxe o tema da festa, “Maria, Mãe dos Povos da Amazônia. A imagem da padroeira, veio sobre a Cocoloba, maior folha da Amazônia. Dentro dela rostos dos ativistas e defensores do meio ambiente como Chico Mendes, Dorothy Stang e outras personalidades da Amazônia, líderes indígenas e de Parintins, como Waldir Viana e missionários como Dom Arcângelo Cérqua e Irmão Miguel de Pascalle. Ao fundo o rosto de Cristo simbolizando o lema da festa,  “Fazei tudo o que ele vos disser”, todo rústico, adornado com cipós e folhas secas. Na lateral dois totens indígenas com material reciclado, na frente duas garças representando a fauna, feitas com folhas secas, palha e latinhas como é exemplo de reciclagem.

“Toda a simbologia com materiais sustentáveis é um olhar para o Sínodo, para a Amazônia que vai debater a preservação da floresta e biodiversidade”, explicou o artista na descrição do andor.

Em 2019, a festa da padroeira de Parintins chamou os fiéis a uma reflexão para o cuidado que todos devem ter com a Amazônia. A proposta da Diocese, do bispo Dom Giuliano Frigeni, padres e da comissão dos festejos foi ampliar as discussões sobre a importância de preservar a Amazônia. Ao propor a temática, a igreja chamou a atenção para a defesa dos povos que  vivem  e dependem da floresta para sobreviver, que sofrem com as ameaças em função dos interesses econômicos.

O tema foi considerado forte, não só do ponto de vista religioso, da evangelização, mas principalmente do ponto de vista humano e social, da defesa da pessoa, dos povos da Amazônia.

A Diocese de Parintins também se voltou para a preparação do Sínodo para a Amazônia, em Roma, no mês de outubro,  e que vai discutir  os novos caminhos da igreja e para uma ecologia integral. Na mensagem do Papa Francisco há o  cuidado e o reconhecimento das  lutas e resistências dos povos da Amazônia, ameaçados em seus territórios, injustiçados, expulsos assassinados por conflitos agrários, humilhados, sofrendo e passando fome.

Festa do Carmo, em Parintins

Romaria das Águas na Festa do Carmo

Multidão recebe a padroeira na orla da cidade.

 

Romaria das Águas

Falar da festa de Nossa Senhora do Carmo é destacar a manifestação e o sentimento de fé e devoção do povo de Parintins pela padroeira. Durante os festejos vários eventos são realizados, além da parte social de arraial.

Se destacam a chegada da imagem da Santa, trazida por romeiros e parintinenses do Grupo Flor do Carmelo, residentes em Manaus, no dia 06 de julho e a Romaria das Águas, que sai da boca do Limão até o porto da cidade, no dia 14 de julho.

A procissão de embarcações da Romaria das Águas acontece ao por do sol e ocupa a margem do grande rio Amazonas que fica iluminado por candeias indicando o percurso da imagem gigante da Santa, conduzida por uma balsa. Fogos de artifício tremulam por toda a orla e a multidão vai para a frente da cidade saudar a padroeira e esperar as homenagens que acontecem na chegada no porto de Parintins.

A benção do manto, celebrações temáticas durante os dez dias de festa, a chegada do andor, torneio da Santa, leilão e a saudação de fogos ao meio-dia são eventos que também se tornaram tradicionais.  A festa do Carmo é um momento único de devoção que só pode expressar quem verdadeiramente vive essa fé.

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