Santander combina praias, palácios e história no norte da Espanha

Capital da Cantábria oferece praias urbanas, gastronomia, arquitetura e localização estratégica para explorar alguns dos destinos mais bonitos do norte espanhol

Santander, Palácio La Magdalena
Cartão postal de Santander, o belo Palácio Real de La Magdalena. Fotos: Amazonas e Mais

Santander é uma daquelas cidades espanholas que ainda conseguem surpreender quem procura destinos fora dos roteiros mais tradicionais. Capital da Cantábria, no norte da Espanha, ela combina praias, gastronomia e belas paisagens. Elegante, relativamente compacta e voltada para o mar Cantábrico, a capital regional também funciona como excelente base para explorar o norte da Espanha.

Localizada na costa setentrional do país, Santander cresceu ao redor de uma ampla baía e ganhou importância como porto comercial. Hoje, suas avenidas à beira-mar, praias, palácios e parques ajudam a explicar por que a cidade se tornou um tradicional destino de veraneio espanhol.

Uma cidade marcada pelo mar e pela realeza

A história de Santander remonta ao período romano. Vestígios arqueológicos encontrados na região datam do século I, embora a tradição associe a área ao antigo Portus Victoriae, relacionado às guerras entre Roma e os povos cantábricos.

O nome atual teria origem em Sancti Emeterii, referência a São Emeterio, um dos mártires ligados à história religiosa da cidade.

Santander recebeu o título de cidade em 1755 e prosperou graças ao comércio marítimo. No século XIX, o porto ganhou tamanho movimento que chegou a ser comparado ao de Liverpool. Foi também nesse período que a cidade começou a consolidar sua vocação turística.

No fim do século XIX e início do XX, Santander tornou-se destino de verão da aristocracia e da família real espanhola. Esse período deixou uma das principais atrações locais: o Palácio de La Magdalena.

Outro episódio determinante ocorreu em fevereiro de 1941. Um enorme incêndio destruiu boa parte do centro histórico e provocou uma ampla reconstrução urbana.

Palácio de La Magdalena é cartão-postal

O principal símbolo de Santander ocupa a Península de La Magdalena, cercada pelo mar.

Palácio Real de La Magdalena, construído entre 1908 e 1912, foi residência de verão dos reis Alfonso XIII e Victoria Eugenia durante 17 anos. Instalado no ponto mais alto da península, proporciona uma das melhores vistas da baía e das praias da cidade.

A visita pode ser combinada com uma caminhada pelos jardins e mirantes da península. É um passeio para reservar algumas horas, sem pressa. Nos arredores fica o Parque Marino de la Magdalena, que fica integrado às rochas, junto ao mar Cantábrico, e mantém pinguins, focas e leões-marinhos. As piscinas utilizam água do mar.

El Sardinero concentra algumas das praias mais famosas

Santander não é apenas uma cidade próxima ao mar. As praias fazem parte da própria estrutura urbana.

El Sardinero é a região balneária mais conhecida, com grandes faixas de areia e elegantes edifícios que preservam a atmosfera dos antigos verões aristocráticos.

Primera Playa del Sardinero e Segunda Playa del Sardinero estão entre as mais procuradas. La Concha, El Camello, Los Peligros e Mataleñas ampliam as opções para quem visita Santander durante os meses mais quentes.

Um dos programas mais agradáveis é caminhar pela orla entre El Sardinero e a Península de La Magdalena.

O prédio que parece uma baleia

É também em El Sardinero que aparece uma das construções mais curiosas de Santander: o Palacio de Deportes.

O edifício tem desenho arredondado e revestimento metálico. A forma fez surgir um apelido que praticamente virou seu segundo nome: “La Ballena”, a Baleia.

Visto de determinados ângulos, o enorme prédio realmente lembra o corpo de uma baleia. A construção fica próxima ao estádio Campos de Sport de El Sardinero.

É uma parada interessante para quem gosta de arquitetura contemporânea e curiosidades urbanas.

Palacio de Deportes

Neptuno Niño surge entre as pedras do Cantábrico

No caminho entre a Península de la Magdalena e El Sardinero, Santander guarda outra curiosidade que merece atenção. É a escultura conhecida como Neptuno Niño, instalada entre as rochas próximas à Playa del Camello.

A pequena figura representa Netuno, deus romano dos mares, ainda criança. Sua localização transforma a própria maré em parte do cenário.

Quando o mar sobe, a água do Cantábrico avança sobre as pedras e envolve a escultura. Na maré baixa, as rochas ficam mais aparentes e facilitam sua observação.

A Playa del Camello recebeu esse nome por outra curiosidade natural. Uma formação rochosa junto à praia lembra a silhueta de um camelo, principalmente quando observada de determinados ângulos.

Neptuno Niño, no alto do rochedo

Centro Botín mudou a paisagem da baía

Na região central, o Centro Botín representa a Santander contemporânea.

Projetado pelo arquiteto italiano Renzo Piano, vencedor do Prêmio Pritzker, o centro de artes foi inaugurado em 2017 e parece suspenso sobre os Jardins de Pereda, junto à baía. O conjunto é formado por dois volumes suspensos sobre pilares. A fachada recebeu milhares de peças cerâmicas circulares, que refletem a luz e mudam de aparência durante o dia.

Além das exposições, vale visitar o prédio pela arquitetura e pelas vistas proporcionadas pelas passarelas e terraços.

Nas proximidades estão o Paseo de Pereda, a Plaza Porticada, o Mercado del Este e a Catedral de Santander.

Uma cidade onde as ruas têm passarelas rolantes

Outra surpresa está no sistema criado para facilitar a circulação de pedestres. Santander possui áreas bastante íngremes, resultado de sua geografia.

Para vencer essas diferenças de altitude, a cidade instalou escadas rolantes, rampas e passarelas rolantes ao ar livre, além de elevadores urbanos.

Esses equipamentos fazem parte dos chamados itinerários mecânicos. Eles conectam áreas localizadas em diferentes níveis e reduzem o esforço das caminhadas.

Para o turista, também acabam se transformando em atração. Não é todos os dias que se encontra uma passarela rolante funcionando no meio de uma rua espanhola.

Entre os sistemas conhecidos estão as rampas da região da Calle Río de la Pila e outros percursos mecanizados espalhados pela cidade.

Centro histórico pode ser conhecido a pé

Embora o incêndio de 1941 tenha modificado profundamente a antiga Santander, ainda há muito para conhecer caminhando.

A Catedral de Nuestra Señora de la Asunción merece uma visita, assim como a igreja inferior, conhecida como Iglesia del Cristo.

Sob a Plaza Porticada podem ser vistos vestígios da antiga muralha medieval. A cidade mantém, inclusive, uma rota dedicada à história do grande incêndio.

Outro passeio agradável segue pela região portuária em direção a Puerto Chico.

É nessa área que aparece o monumento Los Raqueros, esculturas que recordam crianças pobres que, no passado, mergulhavam na baía em busca das moedas lançadas por passageiros e tripulantes.

Gastronomia tem forte influência do Cantábrico

A mesa de Santander acompanha sua relação histórica com o mar.

Peixes e frutos do mar ocupam lugar de destaque. Entre as especialidades estão as rabas, semelhantes às lulas fritas; os maganos, pequenas lulas preparadas de diferentes maneiras; e as amêijoas ao molho marinheiro.

Vale também experimentar anchovas da Cantábria, pescados do Mar Cantábrico e queijos regionais.

Para petiscos e refeições, o visitante encontra bares e restaurantes espalhados pelo centro, Puerto Chico e arredores do Sardinero. Vale também dar uma parada no Mercado del Este.

Quando ir

O melhor período depende do objetivo da viagem.

Junho a setembro é a época mais interessante para combinar passeios e praias. Julho e agosto concentram o movimento de verão, com temperaturas agradáveis para os padrões espanhóis e uma atmosfera bastante diferente do calor intenso encontrado no centro e no sul do país.

Para quem pretende priorizar caminhadas, gastronomia e passeios pela Cantábria, maio, junho, setembro e início de outubro costumam proporcionar uma boa combinação entre clima e menor movimento turístico.

É importante lembrar que o norte da Espanha tem clima atlântico. Chuvas podem aparecer mesmo durante o verão, razão pela qual uma programação flexível é recomendável.

Onde ficar em Santander

A escolha da região faz diferença.

Para quem pretende explorar a cidade principalmente a pé e valoriza restaurantes e facilidade de transporte, o centro e a região do Paseo de Pereda são bastante convenientes.

Uma opção tradicional é o Bahia Hotel, perto da Catedral, do Centro Botín e da baía.

Quem procura uma experiência mais clássica pode considerar o Eurostars Hotel Real. O edifício preserva parte da atmosfera elegante que marcou Santander como destino da aristocracia espanhola.

Para ficar próximo à praia, uma das localizações mais privilegiadas é a região do Sardinero. O Gran Hotel Sardinero fica praticamente diante do mar.

Na mesma região aparecem alternativas como o Hotel Santemar e o Hotel Chiqui Santander.

Quantos dias ficar e os melhores bate-voltas

Para conhecer Santander com tranquilidade, três dias são suficientes para uma primeira viagem.

Com cinco ou seis dias, porém, o destino se torna muito mais interessante. A cidade pode servir como base para alguns dos melhores bate-voltas da Cantábria.

Santillana del Mar e Altamira

A cerca de 30 quilômetros de Santander está Santillana del Mar, considerada uma das localidades históricas mais bonitas da Cantábria.

O conjunto medieval desenvolveu-se ao redor da Colegiata de Santa Juliana e preserva ruas de pedra, torres defensivas, casarões e palácios renascentistas.

Nas proximidades fica um dos sítios pré-históricos mais importantes do mundo: a Caverna de Altamira, declarada Patrimônio Mundial.

O passeio pode ocupar praticamente um dia.

Santillana del Mar

Comillas

Outro excelente bate-volta é Comillas.

A pequena cidade costeira reúne praias e um patrimônio arquitetônico surpreendente. Seu monumento mais conhecido é El Capricho de Gaudí, uma das raras obras de Antoni Gaudí construídas fora da Catalunha.

Comillas combina muito bem com Santillana del Mar em um roteiro de carro.

Parque de Cabárceno

Para famílias ou viajantes interessados em natureza, o Parque de la Naturaleza de Cabárceno está entre os passeios mais conhecidos nos arredores.

Localizado a pouco mais de 15 minutos de carro de Santander, segundo o turismo oficial, o enorme espaço abriga animais de diferentes continentes em ambientes amplos e em regime de semiliberdade.

É recomendável reservar boa parte do dia.

Suances e a Costa Central

Outra possibilidade é seguir pela Costa Central da Cantábria, região que se estende até Comillas e concentra praias de areia dourada.

Suances é uma das principais localidades balneárias desse trecho e ganha bastante movimento durante o verão.

Pode ser combinada com Santillana del Mar dependendo do ritmo da viagem.

Picos da Europa e Liébana

Para quem dispõe de um dia inteiro e aceita percorrer distâncias maiores, Santander também pode servir como ponto de partida para a região de Liébana e os Picos da Europa.

O roteiro pode incluir Potes, o Monastério de Santo Toribio de Liébana e Fuente Dé, porta de entrada para algumas das paisagens montanhosas mais espetaculares do norte espanhol.

É um passeio mais longo e funciona melhor de carro.

Santander como parte de um roteiro pelo norte da Espanha

Uma das grandes vantagens de Santander é justamente sua localização.

A cidade pode integrar um roteiro maior pelo litoral norte, combinando Bilbao, Santander, Santillana del Mar, Comillas, Picos da Europa e Oviedo.

Para uma viagem de carro, uma boa distribuição seria dedicar três noites a Santander, usando um dos dias para explorar a cidade e os demais para percorrer a costa e o interior da Cantábria.

Mais do que uma simples cidade de passagem entre o País Basco e as Astúrias, Santander merece ser tratada como destino. A combinação entre mar, praias, arquitetura, história e gastronomia cria uma Espanha bastante diferente daquela encontrada em Madri, Barcelona ou Andaluzia.

É uma Espanha mais verde, atlântica e tranquila — e Santander é uma das melhores portas de entrada para descobri-la.

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